sábado, 16 de agosto de 2008

Carta a quem simplesmente busca...

Carta a quem simplesmente busca

Vejo que mais uma vez enredastes nas velhas tramas...
Parece que sua inteligência “desperta” muita inveja no “outro”, não te parece?
Agora, a despeito do que dizem ou podem dizer, vejo-te em confusões, sob grande cansaço e sem perspectivas.
O que aconteceu com você? Sua fórmula não funcionou?

Não precisa esconder nada e nem ficar sob as águas dos segredos-próprios que dizem respeito única e exclusivamente a você. Compreende?
Não haja como se estivesse na iminência do trágico cair sobre sua cabeça. O trágico está diretamente ligado à ansiedade funesta do que poderão dizer sobre você...
Que bobagem!
Sem saberem nada já tramam...
O trágico é você mesmo quem cria!

Quando decidiu fazer algo em sua vida, o fizeste sob qual pretexto? O que te mobilizou?
Quando saístes da casa interior, (entenda-se com isso sair de qualquer situação insuportável), o que buscava?
Responde que buscava algo.
Sabe o que é esse algo?

A velha palavra mágica: posicionamento.
Ficar cara a cara com os sustos que a vida te imputou, foi a morte para ti.
Diz não ter medo da morte!
Acaso tens medo da vida? Creio que sim!
Bom, ter medo da vida ou mesmo da morte faz-nos reavaliar muitas coisas e dentre elas se devemos permanecer ou não nesta busca desenfreada e sem objetivos.
Uma ação inócua só para dizermos a nós mesmos que “estamos fazendo alguma coisa por nós”. Estamos enganando a quem? Hã?

Façamos um retorno às origens, às nossas origens...
Onde estávamos. Onde estamos?
Houve evolução? E se houve, ela estagnou por qual motivo? Pela falta deste?
Você, melhor do que ninguém, pode falar por si.
Uma forte crença de que não era bom o bastante?
Sente-se indefeso, desesperançado?
Não confia no processo da vida... Por pura falta de confiança em si...
Quer rolar morro abaixo?
Claro, pois é isto que acontece com a grande maioria que se pune por qualquer coisa.
A vida é feita de apostas que trazem em seu bojo implicitamente os retornos destas apostas.
Sentir-se desesperado e cansado da vida são resultados de ferimentos emocionais que não recebem permissão para cicatrizar.
Permita-se então!!!
Procure absorver idéias que brotam de seu ser divino e entenda que a vida é feita de momentos, instantes. Sendo assim, não precisa ficar “colado” a um determinado momento estático; já que a vida é dinâmica.
É digno de viver a vida intensamente, não sabe disso?
Bom, então lhe digo agora.
Pare de se lamentar, de se colocar como coitado e vítima... isto é feio, deselegante; isto afasta as pessoas.
Para você, tudo vem antes: a doença, a falta de dinheiro, a agressividade, a defesa que engessa...
Não tem vergonha disso?
Posicione-se e assuma sua vida.
Não há julgamento. Há responsabilidade, sinceridade, honestidade com você mesmo.

Pense nisso,


Octávio Marcondes Machado Marchi, graduado em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu. Psicanalista pelo Centro de Estudos Psicanalíticos – CEP (http://www.centropsicanalise.com.br/), atuando na Rede de Atendimento (Clínica do CEP), Membro da Equipe do Periódico ”#Falo” e com consultórios em São Paulo.
Contato: psicanálise_marcondes@hotmail.com

sexta-feira, 21 de março de 2008

Angústia, prenúncio de algo...

Alguns pacientes iniciam a sessão assim:

- Hoje eu estou angustiado...
- Esta angústia tem a ver...
- O que o senhor pode fazer por mim? (Eu? Fazer por ele!)

Pois é, uma tentativa de imprimir neste artigo algo que, antes, precisa ser pensado, para depois, talvez, ser escrito.
Afinal, como identificar "aquela coisa" que se sente...que dói no peito?
Há, primeiro, de ser nomeada para poder ser compreendida.
Em geral, diversas situações ou acontecimentos podem gerar angústia; por exemplo, mudanças que percebemos a vida nos impor.
Qual o melhor momento para mudar?
Como se efetiva essa mudança?
Como lida-se com o medo que se antepõem à ela?

Bom, não é tão simples assim não. Mas, também não é impossível fazer frente àquilo que assusta por um momento.
Entrar em contato com o que incomoda é o primeiro passo; e como tal, o mais difícil.
Poder avaliar a amplitude deste "incômodo" e tentar rastrear sua origem é uma tarefa um tanto rica.
O que é que "não" sabemos?
Toda a mudança requer uma atitude, uma ação.
Entre aquilo que se tem e aquilo que se deseja é importante que haja a construção de uma ponte.
Ponte esta que possibilitará o processo migratório das plagas de onde estamos para o paraíso onde se quer estar.
No entanto, cada pedaço dessa ponte será colocado apenas por quem anseia à mudança; cada pedaço é constituído de material próprio...visceral, é singular, é de cada um.
É com os elementos constitutivos da subjetividade que será possível dar lume à esta travessia.
O processo, parece, bem interessante e engenhoso, pois convoca toda uma mobilização para o desejado. E haja investimento, haja aposta, haja coragem!
Talvez a angústia resida mais na ansiedade gerada sobre o "como será?" do que no desenrolar dos fatos, na "atuação" bemfazeja da edificação da ponte.

Parece ser possível constatar depois, com um certo prazer, de que as coisas não tinham o tamanho que pareciam ter. Minha experiência de consultório aponta para isso em quase oitenta por cento dos casos.
Dar a largada para a construção da ponte possibilita talvez perceber o quanto de resistência existe...e olha que há muita resistência em entrar em contato com o que carece de ser mudado... É possível perceber também se esta resistência não é reincidente...sabe, lá, nos tempos de outrora... Aí ela aparece "amadurecida" e muito mais densa, com outra roupagem, mas sempre esteve lá.

O importante é não recuar, ou ainda, não se deixar ser "re-capturado" pelo medo que paraliza...engessa...

Que alívio constatar, depois, o coroamento da migração; que prazer desfrutar da conquista saborosa e imaginar que o "auto exame de consciência" (que a vida nos convoca fazer) valeu à pena.

Isto fortifica e nos predispõe a novas apostas, a novos desafios.
Medo saudável chama-se desafio...
Medo na medida certa é prudência!

Octávio Marcondes Machado Marchi.
Graduado em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu. Psicanalista pelo Centro de Estudos Psicanalíticos – CEP (http://www.centropsicanalise.com.br/), atuando na Rede de Atendimento (Clínica do CEP), Membro da Equipe do Periódico ”#Falo” e com consultórios em São Paulo.

sábado, 15 de março de 2008

A VIDA NÃO COMEÇA “SÓ” AOS 40

A VIDA NÃO COMEÇA “SÓ” AOS 40
ELA COMEÇA NO MOMENTO EM QUE NOS AUTORIZAMOS A VIVÊ-LA
INTENSAMENTE A CADA MINUTO.

Pois é, fazer quarenta anos...
E lá venho eu novamente com os meus escritos...
Falarei por mim, de minhas experiências, de minhas conquistas, mas, em se tratando de vida, talvez algumas coisas nos sejam muito comuns.
Se eu não estiver dizendo nenhuma novidade a você, isso será um excelente indício.
Até aqui, nesta primeira etapa de vida foi um contínuo descobrir...olhar para dentro e poder constatar o que eu precisaria preencher, pois que ainda estava vazio de algo meu mesmo.

Aos poucos fui conseguindo substituir algo que não era meu por coisas que continham em si mesmas as minhas marcas, os meus estilos. E aí fui ganhando expressão própria.
Fui me reconhecendo como sujeito pensante. Fui me autorizando à vida e perdendo as cargas de culpa e medo que, me parece, acompanha a todos nós. Problema sócio-cultural. Herança judaico-cristã...

Em um dado momento você se questiona se aquilo tudo é seu mesmo ou se você apenas está reproduzindo algo.
Qualquer coisa valida o não entrar em contato consigo. E este é o grande convite reformador que a própria vida oferece... Ela pega na sua mão e diz: - Vamos?
Você percebe o quanto é inócuo continuar por um caminho utópico e acaba cedendo ao doce e sedutor convite da vida.

Claro, dá-se um desconto. Enquanto somos ignorantes de nós mesmos vá lá que não caminhemos... Mas, à medida em que passamos a entrar em contato de que algo precisa ser feito e continuar no velho mote de não fazer nada...aí a angústia triplica

A vida não começa “apenas” aos quarenta anos, não!
Ela começa no momento em que nos autorizamos a vivê-la intensamente a cada minuto.
E aí, nunca mais (para nossa sorte) deixaremos de nos levar em conta...
Lição aprendida, jamais esquecida.

Para quem se permite, a vida oferece um LEQUE de opções e apostas.
E já que nossa mente tem a capacidade de simbolizar...escolhi este singelo objeto para que você, a cada vez que o vê-lo, se pergunte o que deve estar fazendo por você naquele momento para ser melhor... Qual é a minha aposta? O que quero pra mim? E por aí vai...

Hoje sou mais feliz que ontem. O processo continua...sempre...sempre
Não há “cura” no processo de nos tornarmos melhores...que bom!
Obrigado pela oportunidade que você me oferece de poder compartilhar.
Agite o "leque" que a vida lhe oferece e se permita ao frescor de novos desafios.

sábado, 16 de fevereiro de 2008


Do Ideal Adulto ao Adulto Ideal
Migração possível?



CARO LEITOR, QUE BOM VOCÊ ABRIU ESTE BLOG: meu convite ao raciocínio desta vez diz respeito à separação. Não falo tão somente da separação a que estamos acostumadíssimos ouvir: separação de casais, não.
Hoje, trata-se de uma separação mais densa, mais significativa. Que talvez, bem executada, até possibilite evitar as tais separações matrimoniais no futuro.

É sabido do quanto um bebê recém nascido carece dos cuidados maternos, sobretudo nos primeiros meses. Neste momento, o bebê não sabe diferenciar a si próprio de sua mãe. Para ele é tudo uma coisa só. Como se a mãe fosse uma extensão sua.
Este momento, chamado de fusão, tanto mãe como bebê, têm suas condições de fusionar. Se a mãe, por exemplo, estiver impedida (por uma questão de saúde, depressão, desinvestimento em relação ao bebê), aí então teremos alguns efeitos “colaterais” no bebê e que podem ocasionar, por exemplo, o comprometimento de sua aquisição de autonomia para a vida.

No processo dito normal, aos poucos o bebê vai percebendo que ele e a mãe não são uma coisa só, e mais, percebe também que há outros para além desta relação dual. É um
perceber-se Sujeito diante do Objeto; claro, uma concepção muito primária ainda, pois crianças , sobretudo bebês, não têm capacidade de elaboração rebuscada.

A entrada do “intruso” (terceiro) é muito produtiva. Este terceiro pode ser o pai ou qualquer outro que não ele; isto é, todo aquele que interfere na fusão estabelecida na relação dual.
Acontece que esta fusão (necessária) precisa ser desfusionada (necessariamente).
A primeira frustração de uma série... a entrada do terceiro na relação dual, o desmame, o engatinhar, a aquisição da linguagem...e assim, a medida em que a criança vai se descolando da mãe, vai tomando posse de si; sua autonomia e sua personalidade vão se configurando de forma mais aproximada do ideal e do saudável.

Filhos não são “objetos” dos pais, nem estes detém a “posse” daqueles.
Acontece, porém, de que quando não se observa este tipo de descolamento, há a tendência dos pais acharem ser os “donos” de seus filhos de maneira perene, e estes por sua vez, não saberem caminhar na vida (por medo, por insegurança, por acomodação – tem quem faça por eles – por não acreditarem em si mesmos, por não conseguirem enxergar seus próprios valores, e por aí vai). O pior, estes “valores” também crescem e se cristalizam.
Perceptível é, com o perdão da palavra, a falta de respeito de alguns pais com relação a seus filhos. Cada criança é um ser com inúmeras potencialidades, muitas vezes despercebidas, desperdiçadas ou não estimuladas por seus pais. Cada criança é singular, um ser único.
Ter autoridade sobre os filhos não é emburrecê-los, invalidá-los, anulá-los, castrá-los em demasia, de modo que se tornem pequenos-grandes (hoje-futuro) idiotas.


Ter autoridade também não é subjugá-los e humilhá-los de modo a “aprimorar” sua (dos pais) própria auto-afirmação... Na verdade, um simulacro de auto-afirmação de quem não a possui verdadeiramente.
Este convite ao raciocínio não é uma apologia à que a criança faça o “que quiser”, não!
Criança, por inexperiência, não se garante em seus atos. Requer cuidados, sabemos disso.
Mas como toda educação e instrução partem dos mais velhos... Bom, deduz-se teoricamente, que deve ser dos mais velhos de quem deve partir a boa ação do respeito e do oferecimento do rico processo de autonomia através dos estímulos aos seus talentos; pois elas os têm... Claro que tem!
Nem mais, nem menos. Nem prendê-las, nem soltá-las de todo. Dosar é o melhor remédio. Educar é saber impor alguns limites também.
Os adultos também devem aprender. E uma das coisas que está à mercê de ser aprendida é deixar que os filhos possam mostrar seus valores; mostrar que de alguma forma souberam aprender e apreender o que lhes foi ensinado. Isto sim é uma prova de amor, confiança e grande aposta neste futuro adulto.

Parece-me assim: antes, na fase de formação, um ideal de adulto, depois um adulto ideal.
Minhas palavras não são de julgamento; São sim, um convite para melhorias.
Ninguém nasce com a idade que tem... Aprendemos sempre!
Até a próxima.
Octávio Marcondes Machado Marchi, graduado em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu. Psicanalista pelo Centro de Estudos Psicanalíticos – CEP (http://www.centropsicanalise.com.br/), atuando na Rede de Atendimento (Clínica do CEP), Membro da Equipe do Periódico ”#Falo” e com consultórios em São Paulo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

IDENTIDADE NO EXÍLIO

IDENTIDADE NO EXÍLIO
Em um mundo tão virtualizado, onde nos perdemos por horas a fio diante da tela de um computador para, assim, interagir com o exterior...fico a pensar como se dá e no que repercute a perda da capacidade de vivência no real.
É de surpreender as possibilidades que temos de assumir personalidades, sexos, silhuetas, e tudo o mais que a prodigiosa mente possa permitir criar, com um detalhe que faz toda a diferença: a proteção de uma velada identidade por trás da tela de um computador.

Tornamo-nos os seres mais espetaculares do mundo (mundo egóico, claro!). Beleza, cultura, personalidade são, no mínimo, os pontos altos desta sustentada imagem apresentada à guisa de brincadeira; a dificuldade aparece quando temos que ligar a câmera...aí, vira um problema.
Imagino a quantidade de câmeras que “quebram repentinamente” e quantas conexões devem “cair” ao primeiro convite de um papo virtual com a cam. É o virtual atravessado pelo real.
Sob a “secreta” persona, vai-se construindo inúmeras relações, vínculos e afetos, que, a meu entender, satisfazem os egos mais exigentes e criativos de um lado, e os perigosos perversos de outro.
Outro dia, conversando com Gabriela, uma jovem de 15 anos, questionei de que modo eles, os jovens, encaram este tipo de atitude, já que, me parecem, são tão espontâneos e naturais. Não foi minha surpresa quando ela respondeu-me que isso é uma prática, não generalizada, mas super comum hoje em dia, ao que eles dão o nome de FAKE...
Fake????
Como assim, fake?
Pois é, nada mais nada menos do que aquilo que estamos acostumados e já conhecemos muito bem. Por trás da tela, assumo a personalidade de um ídolo e passo a me apresentar para o mundo, como se fosse o próprio. Isso, me parece, requer uma pesquisa muito acurada para saber, literalmente TUDO sobre este “eleito”. Uma mentira verdadeira: Eu, fake do artista “x”, converso com você, fake do artista “y”.
Que tal então saber TUDO sobre eu mesmo e me conhecer melhor? Na real?
Percebi que a relação com o real destes poucos jovens, já que não devo generalizar, está em assumirem que fazem este tipo de jogo, se posso assim dizer, diante do computador, entre eles. Porque, no mais, tudo está pré-concebido e as regras pré-combinadas. È assim que funciona. Mundo da fantasia mesmo.
No sentido mais suave, ou no sentido mais radical...o que é, para nós mesmos, não sermos nós diante do outro, via tela do micro. Porque decido não poder dizer quem sou? Apresentar-me como um sujeito distinto de mim mesmo?
Afinal, eu sei que não sou aquilo que quero parecer ser diante (sem câmera) do outro.
Será que, o que trago comigo, que é meu: minha maneira de ser, minha educação, minha cultura, enfim, meus valores, não servem como elementos constitutivos de novas relações com os quais posso me apresentar e me relacionar com o mundo?

Acredito que, de alguma forma, isto provoque um silêncio interno e uma perda de contato com o real. Nesta fantasia, enquanto viva – no momento em que acontece – estou suprido de estímulos. Quando venho para o real – quando desligo o micro – talvez eu não consiga, ou até mesmo não saiba muito mais interagir com o outro, pois, assim com o micro, desligo também a minha parcela real. Onde fica este exílio ? O que se busca lá?

Texto publicado no Jornal Planeta Águas - Águas de São Pedro em 19/01/2008

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

PENSAR "O PENSAR"

Pensar, hoje, o que significa?
E pensar o hoje?
O que é pensar, o que é o pensar? Há diferença?

Parece que a sutil diferença toma lugar comum, e faz-nos tomar um pelo outro.
Talvez pensar "O pensar" seja algo que possibilite, já, um início de aprofundamento, independentemente daquilo que se pensa. Mais forma do que conteúdo, que, a priori, já é um
bom começo.
Minha intenção hoje é pró-vocar e não conceituar. Na melhor acepção da palavra, viabilizar um chamamento para a questão. Problematizá-la.
As questões que nos são caras ou as que nos preocupam (sobretudo estas) como são entendidas e tratadas por nós?
Intrigante é perceber o "quantum" de investimento psíquico existe nos vícios de pensamento e, com isso, as pessoas não se permitem (nem sabem que podem fazê-lo), à aproximação de sua verdadeira e legítima forma de pensar, gerando angústia e frustração.
Assumem, administram, propagam e repetem, numa recôndita ignorância, aquilo que não é próprio de si. Quantos projetos de vida são forjados de modo a sustentar este engodo!

Como diz o poeta, é "passar pela vida e não viver".
Será mais fácil manter o velho mote, sustentando um comodismo, do que legitimar uma atitude própria, assumindo com isso as apostas e os riscos?
Corre-se o risco, de que as coisas dêem certo, não? Riscos que se tornam conquistas.
Penso na dimensão deste questionamento. Penso na formação intelectual das crianças, na implicação dos adolescentes com a sua própria vida e na possibilidade de um adulto poder e querer mudar. Isto é quebrar o processo vicioso... Este mal herdado.
Onde se perdeu, ao longo do tempo a ascese do diálogo, do questionamento, da reflexão que está no bojo do processo de educar?
Segundo a Psicanálise, a capacidade de questionar tem seu lado saudável; é algo que nos mobiliza. Mas, sermos maquininhas de fazer perguntas a esmo, não.
Tudo deve ter um sentido. O pensar, o falar.
A velha frase do "Penso, logo existo", deve nos lembrar deve nos lembrar que temos algo a fazer para além do existir. Não só pensar fora, mas dentro, e, sobretudo, dar sentido a essa existência.
Talvez, a dificuldade seja o aprender a pensar.
Há de se dizer, que muitas das coisas que passamos tempos a criticar no outro, tem mais a ver como nós entendemos este outro, do que ele ser/ter verdadeiramente aquilo que lhes apontamos como defeito. Antes, me incomoda no outro o que provavelmente reconheço em mim mesmo nele, e não suporto.
Quando nos permitimos reconhecer como foi que entendemos os processos de nossa vida (relações, afetos, sentimentos) aí sim, estamos para o epicentro de um sem número de possibilidades de solução das questões que nos angustiam.
Parece-me poder afirmar que, quando cada um reflete sobre seus próriios atos, se percebe e se permite à mudança, desvanece a avaliação crítica do erro em relação ao outro; sendo a recíproca verdadeira, já que este outro também refletindo, se percebe e se permite à mudança.
Questões pessoais, familiares, conjugais, políticas, religiosas... enfim, quantos benefícios não surgiriam por um simples saber pensar.
Se há segredo, este está em saber que existimos e saber que há possibilidades de sermos melhores a cada dia.
Percebem onde nos leva e o que nos possibilita pensar?

Pois é...então... veja lá pra onde isso te leva!
Boa sorte!

Octávio Marcondes Machado Marchi, graduado em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu. Psicanalista pelo Centro de Estudos Psicanalíticos - CEP, atuando na Rede de Atendimento e Membro da Equipe do periódico "#Falo" desde 2006. Consultórios na Pompéia e Liberdade.

Texto publicado no Jornal Planeta Águas (Águas de São Pedro) em 29.12.2007